Conceito de Capital

Lilén Gomez | Setembro 2022
Professora de Filosofia

CapitalNa Economia, tradicionalmente, a noção de capital refere-se a um tipo específico de recurso para a produção. Os recursos ou fatores produtivos são classificados em três categorias, uma delas é o capital e as outras duas são o trabalho e a terra. O fator capital inclui os instrumentos utilizados para realizar o processo produtivo, como instalações (prédios, fábricas), equipamentos, máquinas, entre outros. O conceito de capital é o que dá nome ao capitalismo, como sistema de produção.

Do ponto de vista econômico, responde especificamente à noção de capital físico ou real (ou seja, os meios de produção), que se distingue do capital humano e do capital financeiro. O capital humano é entendido como aquele que contribui para aumentar a capacidade produtiva dos trabalhadores que participam do processo produtivo — educação, treinamento, experiência—, aumentando assim os rendimentos. Por outro lado, o capital financeiro refere-se aos recursos disponíveis para compra, seja capital físico ou ativos financeiros (títulos ou ações).

A análise do capital de Marx

Karl Marx (1818-1883) foi um dos principais teóricos a se ocupar do desenvolvimento exaustivo da noção de capital. Marx aponta que o capital é o conceito básico da economia moderna e a base da sociedade burguesa, portanto, sua análise é necessária para a compreensão da lógica que rege as sociedades da época. Em sua obra O Capital, ele se propôs a estudar a sociedade capitalista, a partir da análise materialista de sua estrutura econômica, isto é, a análise científica do nível econômico do modo de produção capitalista e de suas superestruturas políticas e culturais.

O Capital é entendido por Marx como capital físico (máquinas, construções, matérias-primas), mas acrescenta que o capital é a condição de possibilidade, no processo de produção, para a geração do excedente (mais-valia) que é apropriado pelo capitalista, proprietário dos meios de produção. O capital, dentro das economias capitalistas, pertence ao capitalista, assim como a força de trabalho dos trabalhadores, que ele compra. O que define o capital, dessa forma, não são as propriedades naturais dos elementos que o compõem, mas a função que ele cumpre no contexto de determinadas relações sociais, ou seja, quando é utilizado para a exploração da força de trabalho dos trabalhadores assalariados.

Do ponto de vista marxista, o capital consiste em uma categoria histórica, pois existe apenas no âmbito do modo de produção capitalista. Outras correntes econômicas, ao definir o capital de maneira generalizada apenas como instrumento de trabalho, omitem seu caráter social. Os meios de produção só constituem capital quando, sob a propriedade do capitalista, tornam-se meios de apropriação de mais-valia e, consequentemente, de acumulação de lucro.

A noção de capital na sociologia de Bourdieu

O sociólogo francês Pierre Bourdieu (1930-2002) recupera a categoria marxista de capital, como forma específica de práxis cumulativa. Bourdieu, diferentemente de Marx, entende o trabalho como uma atividade produtiva não apenas de bens e serviços, mas também de elementos da vida social que vão além do aspecto estritamente econômico. Ele então argumenta que o capital é inerente à estrutura econômica objetiva, mas também às estruturas sociais subjetivas – a superestrutura, em termos marxistas. As práticas intelectuais ou acadêmicas, nesse sentido, geram uma acumulação de diferentes tipos de capital, que são incorporados como produtos subjetivos na forma simbólica do habitus —os esquemas que ordenam as práticas, gostos e preferências dos sujeitos de uma comunidade.

Assim, além do capital econômico, há o capital cultural e o capital social, que repercutem no primeiro, e vice-versa, a partir de sua distribuição no espaço social. Embora Bourdieu defenda uma importância maior do capital econômico sobre as outras formas de capital, ele aponta que os últimos não são redutíveis ao primeiro. Por exemplo, o consumo de determinadas obras de arte constitui um capital cultural, que determina o status do sujeito que a realiza, enquanto o seu capital econômico depende e simultaneamente possibilita esse consumo.

Artigo de: Lilén Gomez. Professora de Filosofia, com desempenho em ensino e pesquisa em áreas da Filosofia Contemporânea.

Referencia autoral (APA): Gomez, L.. (Setembro 2022). Conceito de Capital. Editora Conceitos. Em https://conceitos.com/capital/. São Paulo, Brasil.

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