Importância da Leitura no Ensino Fundamental

Serena Cuoghi | Agosto 2023
Título de Professora em Biologia

Os benefícios diretos que a leitura gera nas crianças no processo de aprendizagem representam, entre outras possibilidades: 1) o aumento progressivo do vocabulário e a compreensão de palavras cada vez mais complexas; 2) desenvolvimento da compreensão e análise de textos; 3) assimilação natural das regras de ortografia e sintaxe da própria língua; 4) fortalecimento da correta relação fonética com sua respectiva representação gráfica, corrigindo e aprimorando a fala e a construção do discurso verbal; 5) estimulação da interação e cooperação funcional entre áreas cerebrais associadas à linguagem e ao processamento visual; 6) desenvolvimento da construção de imagens mentais que estimulem o uso e exploração da imaginação como recurso criativo; 7) aumento dos níveis de empatia e gestão das competências sociais devido à possibilidade de analisar e compreender a diversidade de contextos e emoções a partir de diferentes perspectivas; e 8) o fortalecimento das habilidades de foco e atenção necessárias para manter a concentração de forma escalável.

Orientar adequadamente as crianças para a aprendizagem da leitura é uma das tarefas mais complexas da prática docente, pois é a principal habilidade que lança as bases para o desenvolvimento do manejo correto da linguagem verbal e escrita, bem como da interpretação das informações em todo o restante da vida do indivíduo, pois estimula o desenvolvimento do pensamento crítico e analítico, permitindo o acesso a conhecimentos múltiplos e o intercâmbio de ideias e expressões culturais de forma transversal. Da mesma forma, a leitura torna-se promotora da criatividade e da imaginação, recursos fundamentais para a construção de uma mentalidade ampla e resolutiva.

Etapas do processo de leitura

Aprender a ler é um processo que deve ser direcionado progressivamente à medida que o próprio desenvolvimento cognitivo da criança evolui, por isso não existe uma receita única para ensinar a ler, muito menos para aprendê-la, tornando-se a área de maior dificuldade e diversidade recursiva ao longo de toda a escolarização. A dificuldade de aprendizagem de leitura pode ser um reflexo de outra coisa, como a existência ou não de um determinado problema que possa sugerir tal sofrimento, tornando-se por si só uma ferramenta de diagnóstico primário que revela condições como a Dislexia, vários tipos de Afasia, Déficit de atenção com ou sem Hiperatividade, Retardo Mental, Autismo ou ainda deficiência visual ou auditiva.

Dependendo da abordagem sob a qual o processo de aprendizagem da leitura em crianças é contemplado, ele pode ser categorizado em três grandes momentos gerais, cuja nomenclatura tende a variar de acordo com a especialidade que o considera, todos coincidindo na seguinte caracterização por fases:

1) Fase de Pré-leitura ou Logográfica (3 a 6 anos): as crianças são iniciadas no processo de associação visual entre caracteres vocais e alfabéticos e seus sons correspondentes, conseguindo correlacionar palavras simples por meio do reconhecimento de algumas letras , inferindo o restante de seu significado por meio de recursos de memória visual e do desenvolvimento de habilidades fonológicas.

2) Fase de Decodificação ou Alfabética (6 a 8 anos): o domínio do alfabeto permite a construção e o reconhecimento das sílabas, de modo que a leitura ocorre lentamente, pois a criança decifra as sílabas que compõem as palavras e articula fonemas complexos, consolidando a compreensão da palavra em sua estrutura completa.

3) Fase de leitura fluente ou ortográfica (8-9 anos em diante): o reconhecimento de palavras ocorre em blocos completos, permitindo a incorporação de significado na sequência de palavras para a compreensão de frases estruturadas, dando lugar à análise e interpretação das mensagens comunicadas no texto.

Da teoria à prática

Estimular os processos de aprendizagem de acordo com estas fases leva à necessidade de assumir ferramentas pedagógicas e didáticas que facilitem a mediação das crianças entre as capacidades cognitivas que devem estar envolvidas e os seus próprios interesses particulares. Nesse sentido, Piaget sugere, por meio de sua Teoria Construtivista, a adequação do ambiente pedagógico, de forma que fomente nas crianças o desejo de interagir ativamente com recursos que promovam a leitura.

De acordo com a Teoria do Desenvolvimento Proximal postulada por Vygotsky, a interação harmoniosa entre as crianças também deve ser promovida durante os momentos de leitura, de forma a facilitar que as crianças mais habilidosas sirvam de promotoras para aquelas que acham o processo difícil, como uma estratégia altamente enriquecedora para ambas as partes.

A dualidade orgânica e funcionalmente envolvida no processo de aprendizagem da leitura exige o cumprimento integral da rota fonológica para a decifração dos sons e da rota lexical que permite o reconhecimento de palavras, conforme esclarece a mais recente pesquisa neurocientífica aportada por Dehaene, demonstrando que sem a combinação de ambas as estratégias, o processo torna-se altamente frustrante, tanto para as crianças quanto para os professores.

Deve também ser tido em conta o papel fundamental do acompanhamento dos pais ao longo de todo o processo, uma vez que um lar onde são promovidos momentos de leitura entre os familiares e a criança, favorece e melhora consideravelmente o desenvolvimento de habilidades implicadas, ajudando-o a superar com maior facilidade as dificuldades que ele poderia apresentar.

Estratégias e recursos motivacionais

Entre as atividades mais favoráveis que podem ser adotadas para esse processo na Pré-leitura estão: a leitura em voz alta pela professora, enfatizando os sons e as palavras ao mostrar sua escrita, aliada à leitura recreativa de contos, para despertar o fascínio das crianças com a leitura e o uso da imaginação; criar jogos focados na associação entre letras e seus sons correspondentes; utilizar flashcards com letras e palavras que orientem as crianças para a identificação gráfica dos sons; tornar mais fácil para as crianças manipular livros ilustrados que contenham frases curtas e simples.

Ao longo da fase de descodificação, pode ser muito útil incorporar momentos de leitura orientada entre os próprios alunos organizados em pequenos grupos, permitindo um acompanhamento individualizado que facilite a detecção precoce e atenção às dificuldades de leitura. A silabação e a segmentação das palavras fortalecem seu manejo fonético, por isso é fundamental incorporar atividades que permitam soletrar as palavras e separá-las silabicamente durante a escrita.

Uma vez alcançada a capacidade de leitura fluente, fazer perguntas sobre pequenos textos lidos estimula sua análise e interpretação, a fim de consolidar uma leitura verdadeiramente compreensiva; também a prática alternada de leitura em voz alta e silenciosa melhora a fluência e a compreensão, além de permitir o desenvolvimento da segurança diante da exposição a um público que escuta a leitura; incentivar a análise dos textos, permite explorar em sua estrutura e desenvolver um manejo mais complexo do vocabulário rumo à busca de seu significado implícito e à interpretação dos diversos recursos da escrita, portanto, a implementação de textos de diversos gêneros, conferirá à leitura o seu potencial transdisciplinar.

Artigo de: Serena Cuoghi. Professora graduada em Biologia pela UPEL. Docente especialista em dificuldades de aprendizagem. Experta em PNL e Superaprendizagem. Trabalha em Ciências Biológicas, e é pesquisadora em Biodecodificação.

Referencia autoral (APA): Cuoghi, S.. (Agosto 2023). Conceito de Importância da Leitura no Ensino Fundamental. Editora Conceitos. Em https://conceitos.com/importancia-leitura-fundamental/. São Paulo, Brasil.

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