Conceito de Formação Acadêmica

Lilén Gomez | Abril 2023
Professora de Filosofia

A formação acadêmica é o grau de escolaridade de um indivíduo, ou seja, contempla toda sua caminhada dentro da educação formal desde as primeiras etapas da alfabetização até os mais altos níveis de especialização. O conhecimento incorporado por meio de instituições oficiais credenciadas constitui um elemento distintivo no currículo, representando um instrumento de apresentação da capacidade profissional. A formação acadêmica tem um importante papel no desenvolvimento individual, conforme os interesses e aspirações que se tem, e conforme as demandas do mercado de trabalho.

Certas profissões não podem ser exercidas sem a posse do correspondente diploma universitário, como, por exemplo, nas áreas de Direito e Medicina. Por outro lado, em áreas como Jornalismo ou Programação Computacional, embora a formação académica não se torne necessariamente um requisito, funciona como suporte para os conhecimentos que a pessoa deve ser capaz de articular.

Graus acadêmicos no ensino brasileiro

No histórico de escolaridade são considerados apenas os estudos ditos como “oficiais” dentro do sistema educacional de um país. No Brasil, os graus de formação acadêmica constituem em seu primeiro nível a educação básica (ensino fundamental 1, fundamental 2 e médio), educação técnica (cursos profissionalizantes de curta duração), e educação superior (subdividido em tecnólogo, bacharelado, licenciatura, especialização lato sensu – pós-graduação – e especialização stricto sensu -mestrado e doutorado-). O doutorado é a mais alta formação certificada na carreira de um indivíduo.

As atividades de aprimoramento tais como cursos de idiomas ou informática bem como capacitações em geral, mesmo que relacionadas a área de formação superior, são classificadas como complementares e agregam valor ao currículo.

Origens da formação acadêmica

As origens da tradição académica remontam à Antiguidade, identificando-se com a fundação da Academia de Atenas por volta do ano 387 a. C., pelo filósofo grego Platão. Originalmente, a Academia era um espaço dedicado ao culto das musas, pelo que o caráter predominantemente científico e cultural da instituição é motivo de controvérsia entre diferentes autores.

No entanto, o próprio Platão em sua obra República descreve o currículo de estudos em que os filósofos governantes tiveram que se formar, de modo que os conteúdos ensinados na Academia podem potencialmente ser deduzidos dali. Tais conteúdos foram direcionados ao cultivo do intelecto, pois, por meio dele, nos aproximamos do reino da verdadeira realidade. Entre eles, citam-se aritmética, geometria, estereometria, harmonia e astronomia. Por outro lado, sobreviveram testemunhos que confirmam a relevância da matemática e da astronomia entre as disciplinas desenvolvidas na escola platônica.

A legislação e a política também foram áreas de interesse na formação acadêmica, como saberes essenciais para a liderança do Estado. Por fim, o traço característico da Academia, entre outras formas de ensino da época —como, por exemplo, os realizados pelos sofistas— era o estudo da filosofia e da dialética que, na perspectiva de Platão, estabeleciam as bases de todo conhecimento.

Por meio do método dialético, herdado da maiêutica socrática (que fazia “nascerem” ideias nos discípulos, por meio de perguntas e respostas), os alunos tinham que exercitar o intelecto para alcançar o entendimento pelo próprio esforço.

Após a morte de Platão, a Academia sobreviveu por alguns anos, passando por múltiplas transformações, até que foi finalmente fechada por Justiniano, chefe do Império Bizantino, no ano 529 d.C.

As primeiras universidades

A instituição universitária nasceu por volta do século XI, como parte do renascimento intelectual europeu, em torno do estudo da filosofia e da teologia. Em uma primeira instância, o ensino superior foi organizado em centros chamados studium generale, ou seja, centros educacionais que recebiam estudantes de diferentes regiões. Assim, aos poucos foram se formando comunidades de estudantes que migraram para realizar seus estudos.

Desde a sua criação, a corporação universitária lutou pela sua autonomia face às autarquias locais, encontrando apoio na instituição eclesiástica. A organização da universidade medieval, portanto, recebeu um forte cunho religioso. Após a sua génese, as universidades desenvolveram-se de formas distintas em cada região. Assim, por volta do século XIII, as primeiras faculdades especializadas em determinados ramos do conhecimento começaram a ser estabelecidas na Europa.

Durante a Idade Média, a universidade tinha como objetivo a transmissão da cultura da época. Mais tarde, rumo à modernidade, o esquema medieval da universidade entrou em crise, surgindo um modelo de caráter maioritariamente científico e profissional. No início do século XIX, então, foram fundadas as primeiras universidades sob controle do Estado, com objetivo manifesto de formar profissionais e dedicada ao progresso científico.

O papel da universidade na atualidade

No contexto do avanço do sistema capitalista, da modernidade até os dias atuais, a universidade se consolidou como parte de uma rede de produção de conhecimento na qual estão envolvidos outros atores, tais como o Estado e as empresas. Com a concorrência pelas vagas disponíveis no mercado de trabalho cada vez maior, principalmente nas grandes capitais, onde sobram profissionais e faltam vagas, as qualificações do indivíduo passaram a ser cada vez mais necessárias como diferencial.

Nesse sentido, apenas o diploma universitário passou a não ser suficiente, sendo a credibilidade da instituição de ensino, a experiência profissional e os cursos complementares pontos valorizados por recrutadores.

Artigo de: Lilén Gomez. Professora de Filosofia, com desempenho em ensino e pesquisa em áreas da Filosofia Contemporânea.

Referencia autoral (APA): Gomez, L.. (Abril 2023). Conceito de Formação Acadêmica. Editora Conceitos. Em https://conceitos.com/formacao-academica/. São Paulo, Brasil.

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