Conceito de Autoestima

Agustina Repetto | Janeiro 2023
Licenciada em Psicologia

De maneira geral, a autoestima é compreendida como o conjunto de atitudes que uma pessoa tem sobre si mesma, ou seja, o total de avaliações positivas e negativas que cada pessoa constrói sobre seu próprio ser. Observa-se que, embora haja muitos trabalhos teóricos e empíricos sobre autoestima, os pesquisadores não têm conseguido chegar a uma definição única.

A autoestima é uma qualidade intrínseca do ser humano, por isso não é possível não tê-la. Na verdade, desde que adquirimos a linguagem e desenvolvemos nossa autoconsciência, formamos juízos de valor sobre nós mesmos. A autoestima se desenvolve à medida que crescemos e muda com o amadurecimento e a experiência. Uma forma possível de representá-la é como um gradiente, com a baixa autoestima em uma extremidade e alta na outra. Uma baixa autoestima é composta principalmente por avaliações e julgamentos de valor negativos que geram um desconforto subjetivo frequentemente associado a emoções como tristeza e raiva. Ao contrário, uma pessoa com a autoestima elevada tende a fazer avaliações e julgamentos mais positivos sobre si mesma e a sentir maior satisfação pessoal, que está relacionada a estados emocionais mais felizes.

Autoestima x autoconceito?

São constructos que muitas vezes são usados como sinônimos, mas que, na verdade, apresentam uma diferença. O autoconceito refere-se ao conteúdo descritivo que uma pessoa faz de si mesma. Por exemplo, alguém pode dizer que se considera uma pessoa comprometida com seu trabalho. Essa descrição faz parte de um conjunto de ideias que a pessoa tem sobre seu próprio ser e que por si só não possuem um valor positivo ou negativo, portanto, fazem parte do autoconceito. Seguindo o mesmo exemplo, poderíamos pensar que uma pessoa com baixa autoestima faria uma avaliação negativa a esse respeito e focaria no fato de estar comprometida com seu trabalho porque é a única coisa que sabe fazer bem, aumentando sua frustração em outras áreas da sua vida e gerando sentimentos de desconforto, inclusive, no trabalho. Ao contrário, uma pessoa com autoestima elevada poderia avaliar positivamente seu comprometimento com o trabalho, pois permite atingir seus objetivos profissionais, gerando sentimentos de bem-estar e satisfação.

A relação entre autoestima e personalidade

Embora os estudos sobre personalidade tenham uma longa história, aqueles que a relacionam com a autoestima são relativamente recentes. As contribuições de Paul T. Costa e Robert McCrae, referências internacionais na pesquisa da personalidade, apontam a influência que a mesma tem na forma como percebemos e avaliamos a nós mesmos. Por exemplo, existem estudos que relacionam instabilidade emocional, preocupação constante e dificuldade em desenvolver estratégias para resolver conflitos de forma eficaz com baixa autoestima. Pelo contrário, aquelas pessoas que não se preocupam constantemente, que têm maior estabilidade emocional e que encontram formas eficazes de resolver situações estressantes, tendem a formar avaliações mais positivas de si mesmas, o que se assemelha a uma autoestima elevada.

Simultaneamente, as pessoas mais confiantes em suas habilidades, mais conscientes de seu comportamento e das consequências dele, que possuem autocontrole e podem, por exemplo, adiar a gratificação imediata para a conquista de um objetivo futuro, apresentam níveis mais elevados de autoestima. No que diz respeito às relações interpessoais, existem estudos que defendem que o fato de alguém trabalhar como líder em um grupo de pertencimento está associado a uma elevada autoestima.

Como nossa autoestima influência nas atribuições de nossas conquistas?

Há ocasiões em que as pessoas atribuem a causa das coisas que lhes acontecem a questões pessoais e outras vezes a questões externas que não dependem delas mesmas. Há pesquisas que indicam que a tendência de atribuir conquistas a causas internas está relacionada à autoestima elevada. Por exemplo, as pessoas que tendem a acreditar que se saíram bem em uma prova porque estudaram bem provavelmente têm um nível mais alto de autoestima do que as pessoas que atribuem sua conquista a uma causa externa, como a sorte.

Em sentido inverso, a tendência de atribuir erros a causas internas está relacionada a baixos níveis de autoestima, assim como a tendência de atribuí-los a fatores externos está relacionada a um nível mais alto. No exemplo do exame, poderíamos supor que a pessoa com baixa autoestima tenderá a atribuir seu fracasso a uma causa interna, como a falta de clareza na hora da prova. Por outro lado, uma pessoa com alta autoestima pode pensar que sua desaprovação se deve a uma falha na correção.

Artigo de: Agustina Repetto. Graduada em Psicologia, pela Universidade Nacional de Mar del Plata. Atualmente é pós-graduanda em Sexualidade Humana: sexologia clínica e educacional a partir da Perspectiva de Gênero e Direitos Humanos.

Referencia autoral (APA): Repetto, A.. (Janeiro 2023). Conceito de Autoestima. Editora Conceitos. Em https://conceitos.com/autoestima/. São Paulo, Brasil.

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