Contracultura - Conceito, o que é, Significado

Algumas modas, movimentos sociais ou correntes intelectuais são caracterizadas por sua oposição radical à cultura dominante. Tais tendências expressam suas preocupações sobre os valores culturais convencionais e, por este motivo, se fala da contracultura.

O termo contracultura em português é uma tradução literal do inglês, ou seja, mais concretamente da palavra counterculture. Do ponto de vista histórico, o criador do rótulo contracultura foi o norte-americano Theodore Roszak.

Características gerais da contracultura

- Aqueles que promovem este tipo de manifestação expressam seu inconformismo social. Assim, os hippies dos anos 60 tinham um estilo de vida oposto ao consumismo, aos valores próprios do capitalismo e aos valores morais da sociedade.

- Estes movimentos têm um componente inicialmente marginal, contestador e radical. Os roqueiros dos anos 50 e os punks da década de 70 foram tribos urbanas cuja estética era considerado subversiva pelos grandes setores da sociedade. Com o tempo, ambos os movimentos foram se adaptando à cultura convencional.

- O ideal de liberdade é predominante neste tipo de corrente. Neste sentido, os escritores norte-americanos da Geração beat defendiam o consumo de drogas e a liberdade sexual como bandeiras e, paralelamente, eram contrários ao modelo de vida americano: o american way of life.

- A maioria das manifestações contraculturais incorporam vários elementos: uma estética determinada, um tipo de música e um modelo de vida alternativo.

- A contracultura está normalmente associada à juventude (em algumas ocasiões os jovens que se opõem ao convencional são universitários e às vezes são grupos minoritários da periferia das grandes cidades).

Muitos movimentos contraculturais surgiram na década de 1960

Na década de 60 ocorreram vários episódios que, em grande parte, podem explicar o surgimento de várias correntes contraculturais. Alguns deles foram: a Guerra do Vietnã, a decepção de muitos setores da esquerda por causa do totalitarismo soviético, a luta pelos direitos civis nos Estados Unidos e a crítica filosófica ao modelo capitalista. Todos estes elementos criaram uma nova consciência social e um espírito de rebeldia.

Seguindo esta linha, podemos recordar vários acontecimentos:

1) em Maio de 68, na França, vários estudantes simpatizavam com o Maoismo, uma corrente comunista alternativa à soviética;

2) as revoltas estudantis nos Estados Unidos se opunham à Guerra do Vietnã e à segregação racial;

3) os universitários espanhóis expressaram descontentamento contra o regime franquista e o movimento estudantil mexicano de 1968 se opôs à repressão policial contra os universitários.

Freud e a contracultura

Freud é o principal pensador para entender o século XX e algumas de suas manifestações culturais e contraculturais. Para ele, a cultura gera certo mal-estar em toda a sociedade, pois acaba impondo um modelo majoritário e opressivo que leva o indivíduo à alienação.

Esta imposição silenciosa gera inconformismo em alguns setores sociais e a partir daí surge a necessidade de criar novas correntes heterodoxas inspiradas na liberdade e contrárias à cultura tradicional.

Imagem: Fotolia. Lisa Fischer

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