Conceito de Inteligência Emocional

Agustina Repetto | Junho 2023
Licenciada em Psicologia

A inteligência emocional refere-se à capacidade de fazer uso inteligente das emoções, o que implica a habilidade de perceber, compreender, regular e usar as emoções de forma eficaz. Isso inclui a capacidade de identificar e expressar as próprias emoções, bem como compreender e responder adequadamente às emoções dos outros.

Envolve a habilidade de regular as emoções de forma adequada e adaptativa, e de usá-las de forma construtiva para atingir objetivos e resolver problemas. A capacidade de estabelecer e manter relações interpessoais saudáveis e satisfatórias é outra das áreas em que intervém a inteligência emocional. Foi demonstrado que o seu desenvolvimento tem um impacto positivo na saúde emocional, nas relações interpessoais, no rendimento académico e laboral, bem como na prevenção de problemas emocionais como o esgotamento e a agressividade.

A origem da inteligência emocional

A ideia de que o desenvolvimento da inteligência emocional é necessário remonta à década de 1930, quando o psicólogo Edward Thorndike cunhou o termo “inteligência social”. Esse conceito poderia ser considerado como um possível antecedente da inteligência emocional proposta por Peter Salovey e John Mayer décadas depois. A definição de inteligência social de Thorndike refere-se à capacidade de entender e agir com prudência nas interações com outras pessoas. Para ele, a inteligência social exigia habilidades como empatia, capacidade de liderança e persuasão.

Mais tarde, na década de 1990, os psicólogos Peter Salovey e John Mayer retomaram a ideia de inteligência social de Thorndike, mas a expandiram para o conceito de inteligência emocional. Salovey e Mayer definiram a inteligência emocional como a capacidade do indivíduo de gerenciar intencionalmente as emoções de forma que elas nos ajudem a atingir nossos objetivos e melhorar nossos resultados. Os autores apontam que a inteligência emocional é composta por quatro habilidades básicas: percepção, utilização, compreensão e regulação emocional.

A popularização do termo “inteligência emocional” e sua divulgação em nível popular foi obra do jornalista Daniel Goleman, que entendia a inteligência emocional como a capacidade de reconhecer e administrar as próprias emoções e as dos outros bem como a capacidade de motivar a si mesmo e perseverar na conquista de objetivos, estabelecer relacionamentos significativos e trabalhar efetivamente em equipe. Segundo Goleman, a inteligência emocional não é importante apenas para o bem-estar pessoal, mas também é essencial para o sucesso profissional e para a construção de relacionamentos saudáveis e gratificantes.

Desenvolvendo a inteligência emocional

Felizmente, a inteligência emocional pode ser desenvolvida por meio da educação e da prática. Uma estratégia eficaz para melhorar a inteligência emocional é a prática da meditação e da atenção plena. A meditação ajuda as pessoas a desenvolver consciência emocional, o que significa que elas são capazes de reconhecer suas próprias emoções e as emoções dos outros com mais clareza.

Outra estratégia eficaz é a terapia cognitivo-comportamental, que se concentra na mudança de pensamentos e comportamentos negativos que podem afetar a regulação emocional. Os terapeutas também podem ensinar habilidades específicas de inteligência emocional, como empatia e a comunicação eficaz.

A relação da inteligência emocional com a agressividade e burnout no ambiente educacional e profissional

A inteligência emocional tem sido amplamente estudada em relação a diversas variáveis em inúmeras investigações. Por exemplo, investigasse a relação entre inteligência emocional e agressividade, bem como sua relação com o burnout.

Um estudo recente realizado com estudantes de psicologia investigou a possibilidade de reduzir a agressividade por meio de programas que desenvolvam a inteligência emocional. O estudo descobriu que as pessoas que tendiam a ter baixa agressividade tinham a inteligência emocional mais desenvolvida.

Em relação ao burnout, que é a síndrome da exaustão pelo trabalho, vários estudos constataram que um alto nível de inteligência emocional pode ajudar a prevenir o seu desenvolvimento. Uma meta-análise que incluiu 12 estudos e um total de 2.298 participantes de diferentes áreas de trabalho descobriu que quanto maior o nível de inteligência emocional de uma pessoa, menor a probabilidade de sofrer de burnout.

Ambos os achados têm implicações significativas para a educação e a formação profissional, pois mostram que o desenvolvimento da inteligência emocional pode ajudar a reduzir a agressividade e melhorar as relações interpessoais. Portanto, programas específicos podem ser elaborados para desenvolver a inteligência emocional nos alunos, o que pode melhorar sua capacidade de gerenciar suas emoções e se comportar de maneira mais positiva nas interações sociais. Além disso, a promoção da inteligência emocional no local de trabalho pode melhorar o bem-estar emocional dos trabalhadores e prevenir o esgotamento, o que, por sua vez, pode ter efeitos positivos na produtividade e no desempenho no trabalho.

Artigo de: Agustina Repetto. Graduada em Psicologia, pela Universidade Nacional de Mar del Plata. Atualmente é pós-graduanda em Sexualidade Humana: sexologia clínica e educacional a partir da Perspectiva de Gênero e Direitos Humanos.

Referencia autoral (APA): Repetto, A.. (Junho 2023). Conceito de Inteligência Emocional. Editora Conceitos. Em https://conceitos.com/inteligencia-emocional/. São Paulo, Brasil.

  • Compartilhar
Copyright © 2010 - 2024. Editora Conceitos, pela Onmidia Comunicação LTDA, São Paulo, Brasil - Informação de Privacidade - Sobre