Conceito de Complexo (na Psicologia)

Agustina Repetto | Fevereiro 2024
Licenciada em Psicologia

Basicamente, na Psicologia, um complexo é um padrão de pensamento, emoção e comportamento incorporado na psique de uma pessoa. São estruturas mentais formadas a partir de experiências, traumas, desejos e conflitos não resolvidos. Eles podem se manifestar de diversas maneiras, desde ideias obsessivas até reações emocionais intensas, e podem influenciar nossos relacionamentos, decisões e percepções do mundo que nos rodeia. Dos escritos de Freud às teorias mais contemporâneas, o conceito de complexo tem sido objeto de profundas reflexões teóricas.

Por outro lado, em termos gerais, um complexo pode referir-se a 1) um conjunto de elementos cujas partes constituem um todo, como um edifício; 2) questão, coisa ou situação, seja de estudo ou de resolução, que implique dificuldades em poder ser abordada, compreendida e/ou resolvida.

Como os complexos psicológicos são formados?

É possível que os complexos sejam formados através de uma interação complexa entre fatores internos e externos. As experiências da primeira infância, as relações familiares, os acontecimentos traumáticos e as mensagens culturais contribuem para o desenvolvimento destes padrões mentais arraigados. Por exemplo, uma criança que sofre uma perda precoce pode desenvolver um complexo de abandono, manifestando-se como um sentimento de insegurança crónica em relacionamentos futuros.

Exemplos

1. Complexo de inferioridade: a sensação de não ser suficiente

O complexo de inferioridade é caracterizado por um sentimento crônico de inadequação e autoavaliação negativa. Aqueles que vivenciam isso muitas vezes se sentem inferiores aos outros e isso pode ter um impacto significativo em suas vidas. Pessoas com esse complexo podem ter dificuldade em aceitar elogios ou reconhecer suas conquistas, pois sempre sentem que não correspondem às expectativas. Além disso, tendem a evitar situações em que possam ser criticados ou julgados por outros, e podem adotar uma mentalidade autodestrutiva para evitar enfrentar suas inseguranças.

As raízes do complexo de inferioridade são frequentemente encontradas em experiências iniciais da vida, como a comparação com irmãos ou colegas mais bem-sucedidos, a falta de apoio emocional dos pais ou cuidadores, ou trauma emocional causado por bullying ou discriminação. Essas experiências podem deixar uma marca duradoura na psique de uma pessoa, levando-a a internalizar um sentimento de indignidade ou competência.

Abordar o complexo de inferioridade pode exigir uma abordagem terapêutica abrangente que aborde tanto as experiências passadas como os padrões atuais de pensamento e comportamento. A terapia cognitivo-comportamental, por exemplo, pode ajudar as pessoas a identificar e desafiar pensamentos negativos e autodestrutivos e a desenvolver estratégias para melhorar a autoestima e a autoconfiança. O apoio emocional de amigos, familiares ou grupos de apoio também pode ser inestimável para ajudar as pessoas a superar os seus sentimentos de inferioridade e a encontrar um sentido renovado de valor e auto-aceitação.

2. Complexo de Édipo

O Complexo de Édipo é um conceito fundamental na teoria psicanalítica proposta por Sigmund Freud. Descreve o desenvolvimento psicossexual na infância e suas implicações na estruturação da personalidade. Este complexo é baseado na tragédia grega de Édipo Rex, onde o protagonista, Édipo, mata sem saber o pai e se casa com a mãe. Freud adaptou esta história para ilustrar um processo psicológico fundamental na infância.

Segundo Freud, o Complexo de Édipo se desenvolve durante a fase fálica do desenvolvimento psicossexual, que ocorre aproximadamente entre os 3 e os 6 anos de idade. Durante esta fase, a criança experimenta desejos inconscientes em relação ao progenitor do sexo oposto (mãe no caso dos rapazes, pai no caso das raparigas) e rivalidade com o progenitor do mesmo sexo. Esses desejos e conflitos são normais e fazem parte do processo esperado de desenvolvimento psicossexual infantil.

O Complexo de Édipo se resolve à medida que a criança internaliza as normas sociais e culturais que proíbem o incesto e se identifica com um dos pais. Este processo de identificação e internalização de normas sociais e culturais constitui a base do superego.

É importante ressaltar que o Complexo de Édipo é universal na infância e não resulta necessariamente em problemas psicológicos. Na verdade, Freud considerava que a resolução adequada do Complexo de Édipo era essencial para um desenvolvimento psicológico saudável. Porém, se o Complexo de Édipo não for devidamente resolvido, pode acarretar problemas psicológicos na idade adulta, como dificuldades no relacionamento interpessoal.

Na análise psicanalítica, o Complexo de Édipo pode ser um importante ponto focal para a compreensão de conflitos e problemas psicológicos na vida adulta. Explorar padrões de relacionamento, desejos inconscientes e conflitos subjacentes relacionados ao Complexo de Édipo pode ajudar as pessoas a compreender melhor suas próprias motivações e comportamentos e a abordar de forma eficaz os problemas psicológicos subjacentes.

Artigo de: Agustina Repetto. Graduada em Psicologia, pela Universidade Nacional de Mar del Plata. Atualmente é pós-graduanda em Sexualidade Humana: sexologia clínica e educacional a partir da Perspectiva de Gênero e Direitos Humanos.

Referencia autoral (APA): Repetto, A.. (Fevereiro 2024). Conceito de Complexo (na Psicologia). Editora Conceitos. Em https://conceitos.com/complexo/. São Paulo, Brasil.

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