Henoteísmo - Conceito, o que é, Significado

No conjunto das tradições religiosas há duas correntes principais: o monoteísmo e o politeísmo. O cristianismo, o judaísmo e o islamismo são exemplos de religiões monoteístas, pois afirmam a existência de um único Deus. O hinduísmo e as antigas religiões egípcia, grega e romana são exemplos de doutrinas politeístas. Nas duas abordagens existe uma alternativa intermediária, o henoteísmo. Consiste em acreditar em várias divindades, mas ao mesmo tempo em uma deidade de ordem superior.

Em outras palavras, trata-se de uma visão politeísta na qual existe um deus com nível hierárquico superior.

O termo foi cunhado no século XIX pelo filólogo alemão Max Muller. Com este neologismo se fazia referência à religiosidade na Índia, onde diversas divindades eram veneradas, mas ao mesmo tempo um único deus tinha poder supremo.

O henoteísmo está relacionado à evolução histórica do fenômeno religioso

Aqueles que estudaram as crenças religiosas do ponto de vista antropológico afirmam que o ser humano começou a idolatrar as forças da natureza. Assim, a chuva, os tremores de terra e os raios do Sol tinham um caráter divino.

Em outra época, uma visão politeísta foi consolidada, na qual várias divindades serviam para explicar a ordem do universo

A pluralidade de deuses no mundo antigo foi evoluindo e nas mais variadas crenças mitológicas aparecia um deus com mais poder sobre os outros. Assim, no Olimpo dos gregos habitavam doze divindades e uma delas, Zeus, tinha supremacia sobre as demais.

Na civilização romana o panteão dos deuses manteve um esquema bem parecido, uma vez que os deuses gregos foram substituídos por outros com uma simples mudança de nome (Zeus se tornou Netuno, Atena em Minerva, Afrodite em Vênus, etc.). Foi no contexto histórico grego e romano que o henoteísmo se consolidou como um princípio religioso.

Através dos primeiros profetas do judaísmo ficou estabelecido um novo paradigma, o monoteísmo. Houve uma transformação gradual das crenças religiosas no povo hebreu: originariamente elas eram politeístas e assim que Abraão apareceu se consolidou uma combinação entre henoteísmo e monoteísmo, mas que finalmente foi imposta uma visão exclusivamente monoteísta.

A partir da expansão do Cristianismo a visão henoteísta começou a enfraquecer

Para os primeiros cristãos, aqueles que acreditavam em vários deuses eram pagãos. O cristianismo combateu energicamente o paganismo em suas diversas versões, pois entendia que adorar a diferentes divindades expressava rejeição das escrituras sagradas.

No século IV d. C, o imperador romano Constantino se converteu ao Cristianismo na religião oficial do Império. A partir desse momento começou o declínio gradual de qualquer visão henoteísta.

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